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Geoprocessamento

O nascimento do sensoriamento remoto


Trata-se de uma técnica que se iniciou com a utilização de fotografias da superfície da Terra, tomadas a partir de balões, para a elaboração de mapas ainda no século XIX, pouco tempo depois da invenção da fotografia.


por Jorge Raffo* e Rúbia Gomes Morato**

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Uma das tecnologias mais utilizadas pelos profissionais de Geografia é o Sensoriamento Remoto. O termo sensoriamento remoto significa a obtenção de informações sem o contato direto com o objeto de estudo. Trata-se de uma técnica que se iniciou com a utilização de fotografias da superfície da Terra, tomadas a partir de balões, para a elaboração de mapas ainda no século XIX, pouco tempo depois da invenção da fotografia. Posteriormente evoluiu com o uso de aviões e satélites.

No princípio, além dos balões, também foram utilizados pipas (ou papagaios) e até pombos para transportar as máquinas e tomar fotografias da superfície. Mais tarde, os aviões se tornaram a principal plataforma das máquinas fotográficas e passou-se a obter fotografias a partir de maiores altitudes, o que possibilitava cobrir áreas mais extensas. À medida que a fotografia aérea foi evoluindo, foram se desenvolvendo duas ciências paralelas, a Fotogrametria e a Fotointerpretação.

A Fotogrametria se preocupou em desenvolver as técnicas que melhor representavam a forma do terreno, sua topografia e a métrica dos mapas produzidos a partir das fotos aéreas. Esta ciência adquiriu uma grande relevância durante a Segunda Guerra Mundial e após ela, e atualmente quase toda a cartografia em escalas menores a 1/5000 é realizada usando Fotogrametria.

Paralelamente desenvolveu-se a Fotointerpretação. Diferentemente da anterior, esta ciência não estava muito preocupada com a questão métrica, quantitativa, e sim com a questão qualitativa, o que poderia ser visto e identificado sobre uma fotografia. Também começou orientada a resolver questões militares. Um dos problemas era como identificar numa fotografia aérea veículos militares pintados com camuflagem dentro da floresta. A partir dessa questão, surgiu a possibilidade de utilizar filmes fotográficos sensíveis a radiações diferentes da luz visível, como o filme infravermelho, por exemplo.

Comparando duas fotografias, uma obtida com filme sensível à luz visível e outra da mesma região sensível ao infravermelho poderiam ser identificados objetos que de outra forma ficavam escondidos pela camuflagem, já que a vegetação e os objetos metálicos como os veículos militares aparecem com tons diferentes numa fotografia em infravermelho. Este efeito é chamado de "resposta espectral diferenciada". Posteriormente, a fotografia em infravermelho passou a ser amplamente utilizada com fins civis, especialmente no referente a questões vinculadas a vegetação e agricultura. O infravermelho permite principalmente detectar estresse na vegetação com muita eficácia e é muito útil, por exemplo, no monitoramento de culturas agrícolas.

Com o aparecimento do scanner e a possibilidade de digitalizar as fotografias aéreas, desenvolveuse uma das tecnologias que mais rapidamente tem crescido no século XX e XXI, o Sensoriamento Remoto, também chamado de Teledetecção.

Um aparelho chamado Estereoscópio possibilitou a visualização de duas fotografias de um mesmo objeto tomadas desde locais diferentes, de forma a poder observá-lo em terceira dimensão. Esse aparelho possui duas lentes que simulam as visões dos dois olhos, esquerdo e direito. Olhamos a primeira fotografia pela lente esquerda e a segunda pela lente direita. O resultado é a visão em relevo, com os topos das montanhas e os fundos de vales bem evidentes.

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Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres
Da sigla em inglês, CBERS: O programa CBERS é um projeto conjunto entre o Brasil e a China para a construção de uma família de satélites de sensoriamento remoto. O programa CBERS foi iniciado em 1988. Trata-se de modelo de cooperação e intercâmbio tecnológico entre países em desenvolvimento. Atualmente, está em operação o CBERS-2, lançado em outubro de 2003.

Por volta da década de 1970, as missões espaciais começaram a levar câmaras fotográficas para obter imagens desde o espaço, e posteriormente estas foram substituídas por câmaras sem filme fotográfico, similares às câmaras de televisão. Nessa época, quando a fotointerpretação de fotografias de avião *Jorge Raffo é professor Doutor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. **Rúbia Gomes Morato é geógrafa, com pesquisas de mestrado e doutorado em Sensoriamento Remoto. começava a ser substituída por interpretação de imagens obtidas por naves espaciais é que esta ciência passou a ser denominada de Sensoriamento Remoto.

Na década de 1980, com a invenção do microcomputador e dos monitores coloridos, começou-se a generalizar o uso do computador para interpretar os objetos existentes nas imagens enviadas pelos satélites. Posteriormente com o aparecimento do scanner e a possibilidade de digitalizar as fotografias aéreas, assim como a criação de softwares especializados em identificação dos objetos das imagens através de métodos matemáticos chamados de "classificadores espectrais de imagens", desenvolveu-se uma das tecnologias que mais rapidamente tem crescido no século XX e XXI, o Sensoriamento Remoto, também chamado de Teledetecção.

No início, as imagens de satélites eram restritas apenas para uso militar. Depois, foram abertas para uso civil, sendo utilizadas por pesquisadores, técnicos de órgãos públicos e consultores ambientais, mas o custo ainda era muito elevado. Recentemente, o custo das imagens tem caído e existem até mesmo imagens que são disponibilizadas gratuitamente na Internet. O Brasil está entre os países que possuem tecnologia para construção de satélites de sensoriamento remoto. O Satélite Sino-brasileiro de Recursos Terrestres foi construído em parceria com a China e suas imagens são disponibilizadas gratuitamente pela Internet.

Hoje, imagens de satélite são utilizadas nas aplicações mais variadas, como meio ambiente, vegetação, agricultura, mineração e geologia, clima, planejamento urbano e regional etc.

O Google Earth popularizou as imagens de satélite e os usuários podem explorar gratuitamente imagens de todo o planeta, com diferentes zooms, desde a visualização dos continentes até chegar às ruas e avenidas com detalhes das construções. Por tudo isso, o que era de domínio de especialistas logo se espalhou e passou a ser utilizado de maneira ampla pela população em geral, alcançando o ambiente escolar.

*Jorge Raffo é professor Doutor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. **Rúbia Gomes Morato é geógrafa, com pesquisas de mestrado e doutorado em Sensoriamento Remoto.

 

 
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