 Colômbia e as Bases Militares dos Estados Unidos
A Colômbia voltou às manchetes dos jornais brasileiros não pela atuação da tradicional guerrilha no país, mas pela possibilidade de instalação de sete bas es militares dos EUA. Por Charles Pennaforte
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O Presidente da Colômbia Álvaro Uribe se encontra com o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama na Sala Oval da Casa Branca |
Depois da tentativa de instalação (malsucedida) de uma base no Paraguai e da recusa em renovar a manutenção da base de Manta pelo presidente do Equador, Rafael Correia, os EUA recorreram ao seu tradicional país aliado na América do Sul: a Colômbia.
Por dentro do contexto
Desde o início da década, a América Latina passou pelo processo que os cientistas políticos denominam de "guinada à esquerda". Traduzindo: inúmeros países passaram a ser governados por partidos tradicionais de esquerda ou que fizeram coligações com eles. São exemplos claros desse cenário a Venezuela, o Brasil, o Equador, a Bolívia, o Paraguai e o Uruguai.
Há um bom tempo a Colômbia é alinhada aos interesses da política externa norte-americana. De certo modo, isso pode ser compreendido em função da existência, há mais de quarenta anos, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) que chegaram a controlar uma boa parcela do território.
Os guerrilheiros, desde o final dos anos 1960, defendem a revolução socialista como solução para as mazelas sociais da Colômbia. Ao mesmo tempo, o narcotráfico ganhou força até obter destaque na economia e política colombiana.
O narcotráfico colombiano encontrou uma boa rentabilidade como principal fornecedor dos EUA. A sociedade norte-americana é a maior consumidora de drogas do mundo. Como o combate ao consumo de drogas fracassou no país, as autoridades dos EUA passaram a ter como objetivo a eliminação do cultivo.
Para dar prosseguimento ao intento, o governo norte-americano criou, em 2000, o chamado Plano Colômbia, cujo objetivo era fornecer ajuda econômica e assessoria militar ao governo colombiano para combater o narcotráfico e, de quebra, a guerrilha. Na realidade, também havia outro grande interesse: aumentar a presença militar dos EUA na região, já que os "tempos esquerdistas" estavam retornando.
Em 2004, sob a administração George W. Bush, surgia a Iniciativa Andina Antidrogas . O contorno de uma presença efetiva na Colômbia se delineava não só para o combate ao narcotráfico, mas mantinha a pressão contra a guerrilha esquerdista, o grande interesse do governo colombiano.
Segundo o cientista político e especialista brasileiro em política externa, Luiz Alberto Moniz Bandeira, a ajuda econômica dos EUA à Colômbia a partir de 2004 chegará a mais de 3 bilhões de dólares em 2009.
Uma questão econômica
Ao não renovar a base da militar de Manta no Equador, os EUA direcionaram os seus olhos para a Colômbia como uma solução estratégica para os seus interesses econômicos e geoestratégicos.
A ideia dos EUA é montar sete bases em território colombiano: Malambo, Cartagena, Baía Málaga, Palanquero, Tolemaida, Larandia e Apiay. Com tais bases as Forças Armadas dos EUA teriam um raio de atuação de 3.706 km tendo com centro a base de Palanquero.
Logicamente, a Amazônia brasileira (Legal) ficaria totalmente "enquadrada" na zona de atuação militar dos EUA. Sob o ponto vista econômico, os oleodutos colombianos ficariam mais protegidos dos ataques constantes da guerrilha.
O tema ganhou destaque quando o presidente venezuelano Hugo Chávez fez a denúncia do "perigo" dessas instalações para a América do Sul. Através do seu tradicional estilo de oratória, Chávez mencionou a possibilidade uma "guerra" na América do Sul.
Desconsiderando-se seu jeito falastrão, Chávez (como bom militar) notou rapidamente o que essas bases podem representar em um possível cenário de "aquecimento" das relações políticas no subcontinente.
O fato é que grande parte dos países latino-americanos se pergunta sobre a necessidade real das bases na América do Sul. Os estrategistas e geopolíticos sabem muito bem a resposta, inclusive os brasileiros.
*Charles Pennaforte é diretor do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais (CENEGRI) do Rio de Janeiro. Coordenador da linha de pesquisa Reordenamento Territorial no Mundo Contemporâneo (GERT/CENEGRI). Editor da revista Intellector do mesmo Centro. Autor de inúmeros livros, entre eles: Panorama Contemporâneo - Geopolítica e Relações Internacionais (Cenegri Edições), África - Horizontes e Desafios no Século XXI e Amazônia - Contrastes e perspectivas (Editora Atual). Doutorando em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de La Plata, Argentina |