Reportagens

Biodiversidade e biopirataria


A discussão de conceitos amplos e polêmicos em salas de aula propicia ao educador conhecer sua turma e incentivá-la a novas ações. Este artigo oferece alguns caminhos para iniciar esses debates.


Por Claudio Ferreira Terezo*

 

Biodiversidade por dentro

Divulgação / Shutter Stock Images

- A biodiversidade genética refere-se à variação dos genes dentro das espécies, cobrindo diferentes populações da mesma espécie ou a variação genética dentro de uma população.

- A diversidade de espécies refere-se à variedade de espécies existentes dentro de uma região.

- A diversidade de ecossistemas refere-se à variedade de ecossistemas de uma dada região.

- A diversidade cultural humana também pode ser considerada parte da biodiversidade, pois alguns atributos das culturas humanas representam soluções aos problemas de sobrevivência em determinados locais.

 

Bíos é um radical grago que significa vida. Pode-se definir Biodiversidade como o total de genes, espécies e ecossistemas de uma região, ou seja, o encadeamento de ideias e de ciências se faz presente quando o assunto é a tão falada biodiversidade. Muitos acadêmicos, cientistas, estudiosos e outros profissionais se apropriam deste amplo conceito. Ao analisarmos ao pé da letra, a biologia seria a matriz, porém, nunca deixamos o nosso "olhar geográfico" de lado quando o assunto é colocado em pauta.

Divulgação / Shutter Stock Images

Alexander Von Humboldt
Além da afirmativa de não haver conhecimento sem experimentação verificável, atribui-se a Humboldt a invenção de novas expressões como isodinâmicas, isotermas, isóclinas, jurássico e tempestade magnética.

 

A Geografia e a Biologia são companheiras de longa data. Vale lembrar que Alexander Von Humboldt , sistematizador da Geografia no século XIX , juntamente com Carl Ritter, era um grande estudioso também da Botânica e entendia a geografia como a parte terrestre da ciência do cosmo, isto é, como uma espécie de síntese de todos os conhecimentos relativos à Terra. As relações tratadas e discutidas entre ambas as disciplinas faz com que o estudante e o professor sigam por estes caminhos tão interligados.

A biogeogrifia, voltada ao estudo da distribuição geográfica dos seres vivos no globo terrestre, é disciplina corrente em nossas universidades e representa a junção entre o biótico e o abiótico em nosso planeta. Dentro desta relação, um estudo iniciado no Panamá chama a atenção pela forma que é desenvolvida. Trata-se de um censo florestal realizado em nichos ecológicos, ou seja, em locais restritos de um habitat onde existem condições especiais do ambiente, onde se busca desvendar o porquê do grande número de espécies (fauna e flora) na zona tropical, em comparação às zonas temperadas e outra regiões do planeta.

Teoria neutralista
Uma pesquisa um tanto quanto controversa, utilizada para "explicar" a biodiversidade, é a Teoria Neutralista. Experiências em florestas tropicais realizadas pelo professor Stephen Hubbell, da University of California, Estados Unidos e do Smithsonian Tropical Research Institut de Balboa, no Panamá, ganharam destaque por meio de sua Teoria Unificada Neutra da Biodiversidade (TUNB), que argumenta que grande parte dos genes mutantes é neutra e não apresenta nenhuma vantagem em relação aos genes que veio a substituir. Também, que a determinação da sobrevivência das espécies é aleatória, e não resultado de uma adaptação bem sucedida ao ambiente.

No mínimo essa Teoria pode ser chamada de intrigante, pois de forma geral não se apóia na Teoria de Evolução das Espécies de Charles Darwin, criando um novo campo para discussão.

O trabalho é feito em áreas de 1000 metros por 500 metros (50 Ha) que teve início na Ilha de Barro Colorado, no Panamá, e hoje possui outros 37 lotes espalhados pelo mundo, inclusive dois no Brasil - um em Manaus (AM) e outro na Ilha do Cardoso, litoral Sul do Estado de São Paulo. As árvores são medidas de cinco em cinco anos.

A pesquisa busca responder a uma questão que, para a Biologia, é um enigma: por que a biodiversidade de fauna e flora é maior nas regiões tropicais em relação às demais regiões do planeta?

O que se apresenta para nós é: será que esta indagação poderia ser respondida pela Geografia utilizando as várias ferramentas que temos à mão?

 

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