Reportagens
Metodologia do ensino

O ensino da língua e a metodologia


A escola e a ação pedagógica do professor de língua nos anos iniciais do Ensino Fundamental


por Lenaldo da Silva*

A vida em coletividade exige que cada indivíduo esteja apto para compreender os demais e fazer-se entender por eles. O domínio da linguagem é necessário na maior parte das atividades da existência que implicam contato, intercâmbio, a compreensão mútua que conduz ao entendimento à colaboração. É muito evidente que, no decurso desses intercâmbios, oriundos dos problemas mais imediatos e imperiosos às conversações ou discussões que tratam de questões difíceis e delicadas, aquele ou aqueles cuja linguagem é mais rica, que utilizam sua língua com as suas peculiaridades e maior facilidade, têm uma vantagem determinante sobre seus interlocutores e a possibilidade de fazer valer e triunfar seus pontos de vista.

O ensino de língua materna nos anos iniciais do Ensino Fundamental I tem se restringido, em grande parte, ao ensino de definições e regras oriundas da gramática normativa, na perspectiva de que os alunos "aprendam" a analisar a língua (escrita), ao invés de se habilitarem a um bom desempenho linguístico, o que implicaria serem capazes de se expressar bem verbalmente (utilizando a modalidade oral e escrita) e de interagirem satisfatoriamente no ato comunicativo.

Para Celestin Freinet, do ponto de vista técnico, a escola tradicional girava em torno da matéria a ser ensinada e dos programas que fixavam essa matéria e a ordenavam. A organização escolar, os professores modernos e os alunos tinham que se submeter a essas exigências. A escola moderna gira em torno da criança, membro da comunidade. De suas necessidades essenciais, em função das necessidades da sociedade em que vive, derivarão as técnicas - manuais e intelectuais - que terá que dominar, a matéria a ser ensinada, o sistema da aquisição, e as modalidades da educação. Trata-se de uma verdadeira virada para uma pedagogia racional, eficiente e humana, que deve permitir à criança chegar com o máximo de energia a seu destino de homem.

Consideramos nessas duas afirmações, a nosso ver complementares, a razão de ser de uma escola funcional, tendo em seu bojo um objetivo social e utilitário para o ensino de língua, destacando a valorização desse ensino, e destacando, ainda que ele condiciona, na verdade, todo o processo de construção do conhecimento da criança, o que equivale a dizer que ele é indispensável para ampliar o horizonte de possibilidades de incursões em qualquer área desse conhecimento.

Nesse sentido, acreditamos que, através de uma reflexão sobre a sua prática pedagógica, o professor poderá melhorar o seu desempenho e, consequentemente, o desempenho de seus alunos. Espera-se que ele atue, nesse nível de ensino, como um mediador que favoreça a ação da criança na construção do seu conhecimento.

Considerando-se a escola numa outra perspectiva, uma escola centrada na criança, pode-se vislumbrar qual seria o seu papel. Girando em torno da criança, enquanto membro de uma comunidade, daí ela derivaria a matéria a ser trabalhada, a sua forma de aquisição e as modalidades da educação, ou seja, a partir das necessidades essenciais da criança, para construção do seu conhecimento, em função das necessidades da sociedade em que ela vive.

Saber organizar as ideias, interagir com o outro utilizando a língua, oral ou escrita, é habilidade que dispensa a rigidez de definições e regras, em geral falhas ou restritivas, impedindo muitas vezes a própria compreensão dos fatos linguísticos. É a gramática da língua, verificado o seu funcionamento, que merece ser melhor aproveitada e explorada na escola visando à melhoria do ensino de língua.

Além disso, vale ressaltar que o problema do ensino de língua não pode ser isolado do processo educativo. Ele reflete, pela sua importância, e em sendo a língua uma das formas de expressão de um povo, todo o problema do nosso sistema educacional.

Acreditamos poder afirmar que a atitude e o trabalho do professor na sala de aula refletem toda a sua compreensão da realidade social e a relevância por ele atribuída ao seu papel na sociedade, enquanto agente de mudança. Em consequência, ele pode não permitir que a sua sala de aula seja um objeto à parte, totalmente desarticulada do contexto a que pertence.

Por outro lado, acreditamos que a interação da escola com a sociedade só poderá acontecer na media em que as mudanças que ocorrerem na sociedade encontrem respostas em mudanças na própria escola, e que as soluções dos problemas de uma possam concorrer para as soluções dos problemas da outra.

Vale ressaltar que, se considerarmos ser fundamental uma mudança na escola, temos de reconhecer que o professor é peça fundamental nessa mudança. E em se tratando do professor de língua, entendemos que ele tem um papel relevante no processo.

E, para desempenhar esse papel, não podemos deixar de pensar na (re)profissionalização do professor. Ao lado de questões salariais e de valorização da profissão, existe uma outra questão que merece, também, ser refletida pelo professor. E, para tanto, alerta Emília Ferreiro, é muito difícil que alguém que não lê mais que o absolutamente necessário possa transmitir "prazer pela leitura"; que alguém que evita escrever possa transmitir o interesse para construir língua escrita; que alguém que nunca se perguntou sobre as condições específicas das diferentes situações de produção de texto possa dar informações sobre essas ações e seus alunos. Se o professor tem medo de enfrentar-se com estilos que desconhece evitará introduzi-los na sala de aula. É preciso que ele seja estimulado a descobrir, junto com seus alunos, o que ele não teve ocasião de descobrir enquanto ele mesmo era aluno. Um outro ponto destacado por Emília Ferreiro é o fato de que o professor deseja ser promovido "a um grau superior" com seus alunos. Acrescentamos não ser estranho que, nessas condições, ninguém esteja muito motivado para pensar criticamente sobre sua prática, e se refugie nas alternativas mais burocráticas (os cadernos, necessário possa transmitir "prazer pela leitura"; que alguém que evita escrever possa transmitir o interesse para construir língua escrita; que alguém que nunca se perguntou sobre as condições específicas das diferentes situações de produção de texto possa dar informações sobre essas ações e seus alunos. Se o professor tem medo de enfrentar-se com estilos que desconhece evitará introduzi-los na sala de aula. É preciso que ele seja estimulado a descobrir, junto com seus alunos, o que ele não teve ocasião de descobrir enquanto ele mesmo era aluno. Um outro ponto destacado por Emília Ferreiro é o fato de que o professor deseja ser promovido "a um grau superior" com seus alunos. Acrescentamos não ser estranho que, nessas condições, ninguém esteja muito motivado para pensar criticamente sobre sua prática, e se refugie nas alternativas mais burocráticas (os cadernos,livros ou cartilhas que propõem uma série de atividades pré-programadas, a serem administradas e respondidas mecanicamente). É necessário que o professor tenha acesso a leituras que o ajudem a (re)pensar a sua prática pedagógica, evitando, assim, o uso de receituários que só contribuem para a sua desprofissionalização, pois tem delegado a eles a responsabilidade do resultado obtido. Materiais esses frequentemente com aparência moderna, que apresentam as mais tradicionais ideias sobre o assunto.


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